Espírito empreendedor: A força do empreendedorismo sobre duas rodas

Espírito empreendedor: A força do empreendedorismo sobre duas rodas

“Com o inicio da pandemia, tive a ideia de começar a gravar vídeo com os clientes. Perguntava como tinha sido a entrega e divulgava esses vídeos na internet.” João Paulo Filho.

Por FABIANO SOUZA

Se a pandemia do novo coronavírus(Covid-19) tem causado grande impacto para a saúde e economia da população, mais especificamente para quem reside nas cidades de pequeno e médio porte do Brasil, ela também foi responsável por impulsionar o empreendedorismo e movimentar o setor das Micros e Pequenas Empresas no Rio Grande do Norte(MEIs). O grande destaque fica por conta dos Micro e Pequenos Empreendedores Individuais (MEIs), que teve um acréscimo de 33.997 novos negócios nesse setor, segundo levantamento divulgado pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomercio/RN)no inicio desse mês de outubro.

Esse avanço contrariando todas as expectativas, geradas no inicio da pandemia, só foi possível, porque houve quem enxergasse oportunidade na crise, buscando através da determinação e criatividade novas fórmulas de superar as adversidades. Pessoas que vislumbraram um novo negócio a partir das necessidades pautadas pelo novo normal, ou mesmo quem simplesmente soube ajustar seus serviços aos desafios do momento. Trata-se, segundo os especialistas, do genuíno espírito empreendedor.

A nossa equipe de reportagem conseguiu encontra na cidade de Apodi na região Oeste do Rio Grande do Norte um exemplo desse espírito empreendedor, que tomou conta de uma gama significativa da população, trata-se de João Paulo Filho, 53 anos, que após 30 anos atuando no setor de petróleo e gás, teve que se reinventar para garantir o sustenta de sua esposa e duas filhas. “Trabalhei 30 anos na área da Petrobras, na área de hotelaria de cozinha, de carteira assinada agora com vinte e cinco ano se aposenta pela especial, fui me aposentar, só tinha vinte e dois anos de contribuição, aí as empresas fracassou aqui no estado, eu fiquei desempregado e comecei a trabalhar de mototáxis né? Com o inicio da pandemia, tive a ideia de começar a gravar vídeo com os clientes .Perguntava como tinha sido a entrega e divulgava esses vídeos na internet. Rapidamente começaram a surgir novos clientes, principalmente lojas e profissionais liberais, políticos, advogados e isso fez com que nosso trabalho ganhasse cada vez mais projeção”, disse João Paulo, que passou a usar coletes exclusivos da JP Mototáxis, que trazem a marca de patrocínio de uma das empresas que ele presta serviço. “Hoje realizamos entregas e encomendas para todas as cidades vizinhas do Ceará, Pernambuco, Paraíba. Quando vou sair com destino a uma cidade já coloco no grupo e sempre aparece novas encomendas. E também já trago outra encomenda de volta. E é assim vamos conseguindo ampliar nossa cliente e nossas receitas”, disse João Paulo que trabalha em média 14 horas por dia, sendo cerca de 10 horas percorrendo as cidades fazendo entregas e mais quatro horas fazendo a distribuição de sopa e canja produzidas pela esposa Sandra Helena da Silva.

“A entrega de sopa e canja foi mais uma ideia que tivemos, no momento da pandemia, para agregar mais esse serviço, já que as pessoas tinham dificuldade de sair de casa para comprar seus alimentos. Hoje entregamos em média 35 encomendas de sopa e canja por noite, tendo dias que já chegamos a entregar mais de 40. Graças a Deus, esse nosso trabalho conjunto estamos conseguindo enfrentar essa crise que atinge todos os segmentos da sociedade” afirma o mototaxista que hoje consegue uma renda mensal superior a três vezes o valor do salário-mínimo vigente.

Segundo ele, os serviços registram um aumento superior a 40% nesse período de pandemia Diante disso, João Paulo teve que firmar parceria com mais dois colegas, que suprem as chamadas de entrega, quando ele não se encontra na cidade de Apodi. “Quando eu sou chamada para alguma entrega que não estou na cidade, eu já ligo pros terceirizados que são meus amigos de confiança para fazer as minhas corridas e acerto o preço com eles, quando retorno. Todos os dias eu faço uma média de seis a oito corridas com outros mototaxistas que trabalham com a JP Mototaxistas. Sempre com o propósito de manter a qualidade dos nossos serviços”, esclarece.

O trabalho de João Paulo em Apodi, mostra que o mercado de entregas por delivery e, por consequência, do número de profissionais que ganham a vida sobre duas rodas, tem aumentado significativamente em todo o Rio Grande do Norte. Muitos desses prestadores de serviços atuam de maneira informal.

A meta de João Paulo agora é formalizar sua empresa para que assim como as mais de 10 mil novos MEIs registrados no RN este ano, ele possa contar com todos os benefícios assegurados pela formalização.

Formalização de MEIs no RN tem aumentado com a crise pandêmica


Atualmente o Rio Grande do Norte possui quase 150 mil pequenos negócios registrados nessa categoria jurídica de MEIs.

O avanço do crescimento de novos negócios é resultado da crise econômica, das dificuldades financeiras e os índices de desemprego que levaram uma parcela dos potiguares a trilhar o caminho do empreendedorismo, aliadas ao agravamento da pandemia da Covid-19.

A formulação de uma MEI ainda é a forma mais fácil e desburocratizada de se abrir uma empresa no país sem precisar arcar com uma carga tributária tão elevada. Para o gerente do Escritório Regional Metropolitano do Sebrae-RN, Thales Medeiros, essas podem ser algumas das explicações para que o primeiro semestre desse ano de 2021 seja tão distinto do mesmo mês do ano passado, em termos de formalização de empresas.

“Os meses iniciais do ano têm sido uma período histórico de maior abertura de empresas. Ao compararmos estes anos, vemos claramente duas tendências: a de explorar novas oportunidades, pois toda crise também intensifica essa dinâmica, bem como a alternativa frente ao desemprego que vivenciamos no período, ainda que os pequenos negócios tenham amortizado essa queda de postos de trabalho”, analisa Thales Medeiros

Por esses motivos, o Rio Grande do Norte conseguiu atingir um recorde de novos negócios gerados em apenas cinco meses. De janeiro a maio deste ano, foram formalizadas 10.385 empresas como MEI. Isso representa um crescimento de 27,6% em relação aos cinco primeiros meses do ano passado quando o estado havia registrado 8.137 novas formalizações. Não é à toa que os microempreendedores individuais são atualmente a maior parcela das empresas optantes pelo Simples no Rio Grande do Norte, ficando à frente em quantidade das microempresas -aquelas com faturamento anual bruto de até R$ 360 mil – e das empresas de pequeno porte, cujas receitas totais por ano ficam na faixa acima de R$ 360 mil e abaixo de R$ 4,8 milhões.

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